Decisões e propósito

Vou contar uma história de um episódio na minha vida que tem sido uma referência para mim nessa pandemia quando eu sinto medo de não conseguir conquistar alguma coisa que desejo. Me ajuda muito a lembrar que quando tomamos atitudes por conta do que acreditamos, baseadas em um propósito, quando é com a alma e o coração, mais do que com a razão e o cérebro, podemos conquistar tudo! Então pensei que se me ajuda, quem sabe possa te ajudar também! Espero que goste.

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Anos atrás trabalhava em uma empresa que gostava muito do que eu fazia e dos desafios que eu tinha. Gostava da minha equipe, do mercado de atuação, do modelo de negócio, de onde queríamos chegar. Eu trabalhava muito e com o passar do tempo fui adquirindo mais e mais responsabilidades, meu escopo foi ampliando e eu passei a trabalhar mais, mas também a me envolver mais e gostar mais.

Entretanto existia um fator que eu não apreciava: a cultura na forma de lidar com as pessoas. Pouco a pouco isso foi se tornando um sentimento ruim dentro de mim e o brilho pela empresa foi se apagando. A frustração de não conseguir mudar aquele cenário e pior, de perceber que por não conseguir mudar eu era conivente, foram me consumindo até um ponto que decidi que precisava sair de lá.

Meu plano era começar a busca por um novo trabalho e assim que conseguisse eu pediria demissão, tudo dentro da normalidade. Passadas algumas semanas percebi que como eu dedicava muito tempo ao trabalho sobrava pouco tempo para dedicar a minha empreitada. Quando sobrava tempo eu estava exausta e só queria descansar. Mas a vontade de sair de lá não diminuía, ao contrário, ela foi aumentando. Até que um certo dia eu tomei uma outra decisão: preciso sair daqui agora. E pedi demissão.

Isso mesmo, pedi demissão sem ter outro emprego, sem nem ter uma entrevista à vista. Sem ter muito dinheiro de reserva, pagando aluguel e ajudando minha família. Eu consegui tomar essa atitude desta forma porque estava claro como água que eu deveria fazer o que meu coração mandava, aquela forma de trabalhar ia contra tudo que eu acreditava e se eu tivesse a força e coragem de enfrentar meus medos, eu não ficaria desempregada por muito tempo.

O que aconteceu poucos dias depois foi que aquela adrenalina, gerada pela confiança de estar fazendo o que é certo, se dissipou. No lugar dela veio o medo, a insegurança e quase um desespero de ter feito a maior burrada. Comecei a ouvir os comentários (que sempre surgem) de que você é louca de jogar fora um emprego desse sem ter outro, de que o mercado não está tão aquecido assim, pode ser que você demore muito para encontrar outro, e a lista continuava.

Um mês depois do pedido de demissão e de centenas de horas pesquisando vaga no linkedin, arrumando currículo e falando com amigos eu acordei cedo com uma pontinha de esperança e resgatei aquela confiança que eu havia perdido. Acordei cedo, tomei banho e me sentei a mesa com papel e caneta para fazer uma lista de tudo que eu gostaria que tivesse no meu novo trabalho. Coloquei como eu gostaria que fosse o clima, como seriam as pessoas, como seria a liderança da empresa e assim por diante. Dez itens. Em uma outra folha listei as dez empresas que eu admirava e gostava como cliente. E pronto! Naquele momento senti que bastava isso para que tudo acontecesse. Calcei meu tênis e saí para caminhar. Estava

Andei por duas horas. Andei, andei, andei. Quando voltei para casa, cansada e suada vi uma mensagem no meu celular, que eu havia deixado em cima da mesa. A mensagem era da moça do recrutamento da empresa que eu trabalho hoje. Ela tinha recebido meu currículo e gostaria de agendar uma entrevista. Isso não aconteceu dias depois, isso aconteceu no mesmo dia! Era como se fosse um recado de que eu não deveria desistir mesmo do que eu acreditava, que eu não deveria deixar de confiar em mim mesma. Dos dez itens, encontrei uma empresa que tem 8 deles. Sendo uma das dez empresas que eu havia escrito que admirava como cliente.

Eu pedi demissão porque eu venci o medo de ficar desempregada e sem dinheiro, eu ganhei coragem porque eu estava tomando uma atitude pautada no que eu acreditava que era certo, tinha um propósito. Hoje quando eu volto a sentir medo, de qualquer tipo, eu lembro dessa história e faço um exercício de sentir o que eu realmente quero, de coração e alma? Quando tenho a resposta disso, coloco no papel e deixo seguir.

1 comment

  1. Eric Visintainer

    Que relato vívido e inspirador, Mariana. Também passei por este mesmo processo recentemente. E obrigado por compartilhar esta dica das duas listas na conversa que tivemos aqui na Sabiah.

    Abraço,
    Éric

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